Quem são os shihans que mais te inspiraram, tecnicamente falando?
Obviamente, Yamada Sensei. Houve também Chiba Sensei e Ralph Reynolds na época em que eu morava na Inglaterra. Teve também o Tamura Sensei, no período em que pratiquei na França; Sugano Sensei... e também todos os outros shihans que vi durante aqueles anos no New York Aikikai. Todos eles me inspiraram a fazer melhor.
Mesmo se não fossem diretamente meus instrutores, eram uma inspiração quanto ao que eles podiam fazer, e isso me fazia querer treinar com mais afinco, sempre melhorar. Mas, fundamentalmente, meus instrutores.

Existe muita personalidade no seu Aikido. Como lhe ocorrem essas variações nas técnicas?
Não sei. Eu simplesmente faço. São coisas que aprendi durante todos esses anos e eu as utilizo e adapto de formas diferentes.
E foi assim desde o início?
Não sei realmente... eu só faço o que faço. Não é algo planejado, desenvolvido conscientemente. Essas são as coisas que me foram ensinadas por todos os meus instrutores. E eu ponho tudo junto de forma que meu corpo possa entendê-las. Isso também faz com que eu veja outras possibilidades... eu sempre procuro outras possibilidades.
Uma vez que você entende as formas básicas, você deveria atingir um ponto no qual você realmente faz o que quer fazer, executa as técnicas da maneira que mais lhe convém.
Somente anos de experiência lhe proporcionam esse grau de percepção. Não acho que é algo que as pessoas fazem naturalmente. Alguns fazem com facilidade, outros não.
Quando vejo algo, vejo aquilo como o que é, mas também imagino outras possibilidades envolvendo o que está sendo mostrado.
"Eu simplesmente faço. São coisas que aprendi durante todos esses anos e eu as utilizo e adapto de formas diferentes."
Você via dessa forma desde quando começou?
Sim, desde o início.
Você tem dois vídeos sobre ukemi onde você comenta que tinha problemas no joelho. Como você desenvolveu aquelas variações de quedas? Algo a ver com seu joelho ruim?
Não tenho a menor idéia. Eu apenas recebo a técnica e faço a queda. As pessoas me diziam "Me mostre como você faz isso", e eu respondia "Isso o quê? Eles me jogam e eu caio".
Eu estava apenas fazendo o que era confortável para que meu joelho não doesse. Eu não tinha intenção de criar nada. Eu aprendi sentindo o que acontecia.
Então percebi que havia sentido naquilo que eu estava fazendo e já que as pessoas me perguntavam como fazer, comecei a destrinchar as quedas para que eles pudessem compreender. Somente então tomei consciência de fato do que eu fazia.
Foi a mesma coisa quanto ao ushiro yoko ukemi, que poderíamos chamar de sua marca registrada?
Eu estava apenas me protegendo ao cair. Era mais fácil fazer daquela forma do que cair chapado de costas e levantar. Quando fazem algo comigo, eu apenas respondo ao que me é dado da melhor forma que eu posso.
Como os shihans reagiram a esse estilo diferente de ukemi que você inconscientemente desenvolvia? Eles aceitaram logo de início?
Sim, acho que sim. Como disse antes, eu apenas fazia ukemi. Ukemi não era ensinado de nenhuma forma específica, havia apenas rolamento para a frente (mai kaiten ukemi) e rolamento para trás (ushiro kaiten ukemi), até que as pessoas vieram me pedir para ensinar o que eu fazia.
Então, mais pessoas começaram a fazer o mesmo tipo de queda. Foi assim que começou... eu só estava fazendo ukemi. E percebi que me ajudava, por causa do meu joelho ruim.
Não acho também que foi algo totalmente novo. Eu costumava observar outras pessoas caindo, pessoas que eu achava que tinham um bom ukemi, especialmente pessoas do Hombu Dojo que vieram aos EUA para serem ukes do Doshu (na época, Kisshomaru Ueshiba).
Eu via a suavidade com que eles caíam e tentava fazer a mesma coisa, apesar de fazer um pouco diferente. Mas a inspiração veio ao observá-los.
Você fez muito ukemi para os senseis Chiba e Yamada. Você sentia muita diferença entre um e outro?
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